Presidente dos EUA condicionou trégua à abertura do Estreito de Ormuz. Guerra entre potências e Israel entra no 2º mês em meio a sinais contraditórios da Casa Branca.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (1º) que o governo do Irã solicitou um cessar-fogo na guerra que envolve os dois países e Israel, que já completa dois meses. O regime iraniano, porém, negou prontamente a existência de qualquer proposta e classificou a fala do republicano como “falsa e sem fundamento”.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump disse que consideraria o pedido apenas após a liberação do Estreito de Ormuz, via vital para o comércio de petróleo bloqueada por Teerã no início do conflito.
“O presidente do novo regime do Irã […] acaba de pedir um CESSAR-FOGO aos Estados Unidos da América! Vamos considerar quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desobstruído. Até lá, estamos bombardeando o Irã até sua completa destruição”, escreveu o presidente americano.
Versões conflitantes
Apesar de Trump mencionar um “presidente do novo regime” — alimentando sua retórica de que a guerra provocou uma troca de comando no país persa —, o presidente iraniano continua sendo Masoud Pezeshkian.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã emitiu um comunicado na TV estatal afirmando que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado para os “inimigos”, classificando as postagens de Trump como “demonstrações ridículas”. O Ministério das Relações Exteriores do Irã também reforçou à emissora Al Jazeera que não houve oferta de trégua.
A estratégia de Trump: ameaças e prazos
A fala de hoje reflete uma tática que analistas chamam de contraditória. Ao mesmo tempo em que Trump sinaliza o fim das hostilidades, mantém ameaças de escalada:
- Prazos: Trump estimou que o conflito dure apenas mais “duas ou três semanas”.
- Ameaça de invasão: O governo americano continua acumulando tropas no Oriente Médio para uma eventual incursão terrestre.
- Alvos: Recentemente, o presidente ameaçou “obliterar” a infraestrutura vital iraniana e a ilha de Kharg caso um acordo não seja selado.
Segundo o jornal The Wall Street Journal, a Casa Branca avalia encerrar as operações militares mesmo que o Estreito de Ormuz continue fechado, o que contraria o post feito por Trump nesta manhã.
Entrevista à Reuters: Otan e armas nucleares
Em entrevista à agência Reuters também nesta quarta, Trump deu declarações que elevaram a tensão diplomática global:
- Saída da Otan: Disse estar considerando “seriamente” retirar os EUA da aliança militar e que expressará sua “repulsa” à organização em discurso ainda hoje.
- Pós-guerra no Irã: Afirmou que os EUA sairão da região “muito rapidamente”, mas que pode manter bombardeios localizados após o conflito.
- Questão Nuclear: Declarou que o Irã “não terá arma nuclear nem quer uma” e que não se importa com o urânio enriquecido, afirmando que monitorará o país “via satélite”.
