A decisão do governador interino do Amazonas, Roberto Cidade, de suspender contratos de empresas ligadas à sua família com o governo do Estado abriu uma nova frente de questionamentos no cenário político local.
As empresas Cidade Navegação e RR Transportes e Navegação, pertencentes a familiares do parlamentar, teriam recebido, juntas, valores que se aproximam de meio bilhão de reais ao longo de menos de oito anos da gestão do ex-governador Wilson Lima.
A medida anunciada por Roberto Cidade é apresentada como uma tentativa de evitar conflitos de interesse no momento em que assume interinamente o comando do Executivo estadual. No entanto, o gesto também traz à tona uma contradição central: durante o período em que exercia mandato como deputado estadual — função que inclui a fiscalização do governo — empresas de sua família mantinham contratos milionários com a administração pública.

A situação levanta questionamentos sobre a efetividade do papel fiscalizador do Legislativo e sobre os limites éticos na relação entre agentes públicos e interesses privados.
Nos bastidores, a leitura é de que a suspensão dos contratos, embora relevante do ponto de vista simbólico, ocorre de forma tardia, após anos de vigência dos acordos firmados durante a gestão de Wilson Lima. Isso alimenta críticas de que a medida seria mais reativa do que preventiva.

