Banco Central decretou o encerramento das atividades da instituição nesta quarta-feira (18) citando “deterioração da liquidez” e descumprimento de normas.
O Banco Central (BC) decretou, nesta quarta-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno. Segundo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a medida deve gerar um impacto de quase R$ 5 bilhões para o pagamento de garantias a depositantes e investidores.
De acordo com nota divulgada pelo fundo, o Banco Pleno possui uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis à garantia, totalizando um montante de R$ 4,9 bilhões.
O FGC informou que os pagamentos serão iniciados assim que o liquidante — responsável nomeado pelo BC para conduzir o processo — concluir e disponibilizar o levantamento oficial dos dados dos credores.
Como receber o dinheiro
O fundo orienta que os credores utilizem o aplicativo oficial do FGC (disponível para Android e iOS) para agilizar o processo. Veja o passo a passo:
- Cadastro: O usuário deve realizar um cadastro básico no app.
- Solicitação: Após a liberação da lista oficial pelo liquidante, será possível solicitar o valor.
- Identificação: O beneficiário deverá se identificar e indicar uma conta bancária de sua titularidade para o depósito.
Atualizações sobre o cronograma de pagamentos serão publicadas no site e nas redes sociais do FGC.
Motivos da liquidação
Segundo o Banco Central, a decisão foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira do conglomerado. Entre os problemas listados pelo órgão regulador estão:
- Deterioração da situação de liquidez;
- Infringência de normas bancárias;
- Descumprimento de determinações do próprio Banco Central.
O Pleno é classificado como uma instituição de pequeno porte (segmento S4), representando 0,04% dos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional. Com a liquidação, os bens dos controladores e administradores do banco e da Pleno DTVM ficam indisponíveis.
Histórico e ligações
O Banco Pleno (antigo Voiter) e a Pleno DTVM já integraram o conglomerado do Banco Master, que é alvo de investigações por suspeitas de fraudes financeiras. Atualmente, o Pleno pertence ao empresário Augusto Lima, conhecido como “Guga”, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master.
O BC afirmou que seguirá com as apurações para identificar responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas e comunicações a autoridades competentes.
O que é o FGC e o que ele cobre
O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que protege o patrimônio de investidores em caso de falência de bancos. A cobertura é limitada a R$ 250 mil por CPF/CNPJ em cada instituição financeira.
Investimentos que possuem garantia do FGC:
- Depósitos à vista e conta poupança;
- CDB, RDB e Letras de Câmbio (LC);
- LCI e LCA;
- Letras Hipotecárias (LH).
Dados do fundo indicam que 99,6% dos clientes de instituições associadas possuem saldos dentro do limite total de cobertura de R$ 250 mil.
