A Polícia Federal identificou indícios de que a Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam) teria tomado conhecimento antecipado de uma operação de busca e apreensão realizada no órgão, em Manaus, no dia 3 de setembro. A investigação apura suspeitas de uso da estrutura pública estadual em possível benefício eleitoral.
Segundo relatório elaborado pelos investigadores, alguns documentos determinados pela Justiça já estavam separados quando os agentes chegaram à sede da agência. Funcionários e a própria direção teriam informado que a decisão judicial havia sido identificada anteriormente por meio de uma notificação automática do sistema processual.
Durante a diligência, a PF também apreendeu equipamentos eletrônicos que poderão passar por perícia para esclarecer se houve alteração, apagamento ou perda de informações relevantes para a investigação.
Computador do RH estava em manutenção
Um dos equipamentos que chamou a atenção dos investigadores foi um computador utilizado pelo setor de Recursos Humanos.
Conforme o relatório policial, o equipamento teria apresentado suposto defeito na manhã da operação e sido encaminhado ao setor de Tecnologia da Informação. O computador foi posteriormente localizado na sala de rede da agência e entregue aos policiais com a informação de que estaria “corrompido”.
O equipamento foi apreendido e deverá ser submetido a análise técnica. A PF ressalta que somente a perícia poderá determinar a origem do problema e verificar se houve formatação, exclusão de arquivos ou algum outro tipo de alteração nos dados.
Notebook localizado após informação de que não havia outros equipamentos
Outro episódio registrado pelos investigadores ocorreu na área próxima à Presidência da Aadesam.
Segundo o relatório, o presidente William Alexandre Silva de Abreu e servidores que estavam no local teriam informado aos policiais que não havia outros notebooks, mídias removíveis ou aparelhos celulares corporativos no ambiente.
Durante as buscas, entretanto, os agentes localizaram um notebook da marca Samsung, acompanhado do carregador, próximo ao computador utilizado pela Presidência.
Também foram apreendidos outro computador utilizado pelo presidente e um aparelho celular que, conforme o relatório, era empregado em comunicações com funcionários.
Pen drive também foi entregue aos investigadores
Ainda de acordo com a PF, o advogado que acompanhava a diligência informou que havia apresentado à Justiça uma petição questionando a medida e, posteriormente, entregou espontaneamente aos investigadores um pen drive com capacidade de 128 GB.
O dispositivo, segundo a defesa, continha documentos relacionados aos itens descritos na decisão judicial e também foi apreendido para análise.
A defesa da Aadesam ainda teria questionado a retirada física dos computadores, sob o argumento de que o mandado não autorizaria esse procedimento. A PF, porém, considerou que não havia essa restrição expressa na ordem judicial e sustentou que a apreensão dos equipamentos era necessária para preservar a integridade dos dados e a cadeia de custódia das provas.
Investigação envolve possível uso da estrutura pública
A operação foi autorizada pela Justiça Eleitoral após informações de que documentos e dados relacionados à investigação poderiam estar sujeitos a destruição, ocultação ou alteração.
O procedimento envolve suspeitas relacionadas a admissões e desligamentos de servidores a partir de julho de 2026, incluindo possíveis transferências de funcionários da capital para municípios do interior do Amazonas que, segundo denúncias investigadas, poderiam ter relação com interesses eleitorais.
Além da Aadesam, outros endereços foram alvo de buscas. Em um imóvel utilizado como comitê de campanha, no bairro Japiim, os investigadores procuravam equipamentos que poderiam conter registros de despesas eleitorais. Um notebook protegido por senha foi apreendido.
No Morro da Liberdade, um caderno com nomes de pessoas aparentemente ligadas à campanha foi localizado, mas não apreendido por não apresentar registros de valores. Já em outro endereço, no bairro Aparecida, os policiais não encontraram materiais relacionados à investigação.
O caso também envolve o governador Roberto Cidade, o vice-governador Serafim Corrêa e o presidente da Aadesam, William Alexandre Silva de Abreu. O Ministério Público Eleitoral pediu recentemente o afastamento de William da presidência da agência.
Governo afirma que colabora com as autoridades
Em manifestação sobre o caso, o Governo do Amazonas informou que a Aadesam tem prestado os esclarecimentos solicitados pelas autoridades e mantém postura de colaboração com a Justiça.
O Executivo estadual também afirmou que documentos relacionados à investigação já haviam sido encaminhados espontaneamente antes do cumprimento do mandado e que continuará fornecendo as informações solicitadas.
As investigações seguem em andamento, e a análise dos equipamentos apreendidos poderá esclarecer se houve ou não alteração, exclusão ou ocultação de dados relevantes para o procedimento.
O Portal Ronda Geral AM acompanha o caso e mantém espaço aberto para manifestação da Aadesam, dos citados e de suas respectivas defesas.

