Agentes estiveram em endereço da ex-candidata ao governo no Vieiralves, mas não a encontraram; investigação apura produção e divulgação de vídeos com acusações contra Omar Aziz durante as eleições.
Equipes da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) estiveram, na manhã desta sexta-feira (6), em um imóvel da empresária e ex-candidata ao governo do Estado Maria do Carmo Seffair (PL), localizado na rua Acre, no bairro Vieiralves, zona Centro-Sul de Manaus, para cumprir um mandado judicial de busca e apreensão.
Ao chegarem ao endereço, os policiais não encontraram a empresária. A diligência integra uma investigação sobre a produção e a divulgação de vídeos com acusações contra o governador eleito do Amazonas, Omar Aziz (PSD), durante o segundo turno das eleições estaduais de 2026.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a apreensão de celulares, computadores, documentos ou outros materiais que possam contribuir para o inquérito.
A ação ocorre um dia depois de Maria do Carmo divulgar um vídeo afirmando que estava em casa, aguardando a chegada dos policiais. Na quinta-feira (5), a defesa da ex-candidata também apresentou um novo pedido de habeas corpus para tentar impedir uma eventual prisão.
Justiça restabeleceu autorização para buscas
A diligência desta sexta-feira foi realizada após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) restabelecer a autorização para buscas e apreensões relacionadas ao caso.
Na terça-feira (3), o desembargador Paulo Feitoza revogou uma decisão anterior que havia suspendido as medidas contra Maria do Carmo.
O magistrado considerou que a possibilidade de entrega voluntária de aparelhos eletrônicos pela investigada não substituía a necessidade das diligências policiais para localizar e preservar possíveis provas.
Com a nova decisão, a Polícia Civil ficou autorizada a dar continuidade ao cumprimento das medidas judiciais.
Investigação apura vídeos divulgados durante o segundo turno
O inquérito é conduzido pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) e teve origem em uma denúncia apresentada por Omar Aziz e familiares após o segundo turno das eleições, realizado em 25 de outubro.
A investigação busca esclarecer quem participou da produção, do financiamento e da distribuição de vídeos com acusações contra o então candidato ao governo do Amazonas.
Os materiais teriam circulado principalmente por aplicativos de mensagens durante o período eleitoral.
Um dos vídeos fazia referência à chamada CPI da Pedofilia e apresentava uma imagem de Omar Aziz ao lado da filha, ainda criança, durante a exposição das acusações.
A utilização dessa imagem está entre os fatos que motivaram a apuração criminal.
Profissionais de marketing também foram alvos de buscas
No dia 29 de outubro, a Polícia Civil cumpriu mandados em endereços relacionados a profissionais de marketing que atuaram na campanha eleitoral de Maria do Carmo.
As diligências ocorreram em Manaus e em São Paulo, como parte das medidas destinadas à identificação dos possíveis responsáveis pela elaboração e circulação dos conteúdos investigados.
A investigação permanece em andamento, sem conclusão divulgada sobre a responsabilidade individual dos envolvidos.
Defesa apresentou novo pedido de habeas corpus
Na quinta-feira (5), os advogados de Maria do Carmo ingressaram com um segundo pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Amazonas.
A nova medida busca evitar uma eventual prisão preventiva ou temporária da empresária durante a investigação.
O primeiro pedido havia sido apresentado para tentar impedir o cumprimento de mandados de busca e apreensão.
A defesa manifestou receio de que uma ordem de prisão pudesse ser expedida no decorrer das diligências.
Até as informações disponíveis, não há confirmação de mandado de prisão contra Maria do Carmo nem de sua detenção.
O cumprimento de mandado de busca e apreensão, por si só, não representa condenação ou comprovação de participação nos fatos investigados.
