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Produção industrial cai 0,8% em setembro e registra quarta queda em cinco meses, aponta IBGE

ByPor Redação

nov 5, 2026

Resultado ficou abaixo das expectativas do mercado; indústria acumula perda de 4,1% nos últimos cinco meses e apresenta crescimento de apenas 0,2% em 12 meses.

A produção industrial brasileira recuou 0,8% em setembro de 2026, na comparação com agosto, registrando a quarta queda em cinco meses. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal (PIM).

O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava uma retração de 0,4%, segundo a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

No acumulado de 12 meses, a indústria brasileira apresenta crescimento de apenas 0,2%, indicando perda de ritmo da atividade industrial.

De acordo com o analista do IBGE André Macedo, os resultados recentes demonstram uma desaceleração da produção nas fábricas brasileiras.

Indústria acumula perda de 4,1% em cinco meses

Segundo o IBGE, a produção industrial acumula retração de 4,1% nos últimos cinco meses, eliminando praticamente todo o crescimento de 4,2% registrado nos quatro primeiros meses de 2026.

Com o resultado de setembro, a atividade industrial permanece 16,5% abaixo do maior nível já registrado na série histórica, alcançado em maio de 2011.

O analista André Macedo destacou que os números mostram uma “clara redução na magnitude de crescimento” do setor.

Confira o desempenho mensal da indústria:

MêsVariação
Setembro-0,8%
Agosto-0,7%
Julho0,0%
Junho-1,6%
Maio-1,0%

Queda atinge 17 das 25 atividades industriais

A retração de setembro foi observada em grande parte dos segmentos pesquisados pelo IBGE.

Das 25 atividades industriais analisadas, 17 apresentaram resultados negativos na passagem de agosto para setembro.

Segundo Macedo, houve um “perfil disseminado de taxas negativas”, atingindo três das quatro grandes categorias econômicas.

O setor de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos utilizados na produção, registrou a maior queda, de 1,9%.

Confira os resultados por categoria:

Categoria econômicaVariação
Bens de capital-1,9%
Bens de consumo semi e não duráveis-1,2%
Bens intermediários-0,7%
Bens de consumo duráveis+0,7%

A produção de bens de consumo duráveis foi a única grande categoria que apresentou crescimento no período.

Petróleo, biocombustíveis e alimentos pressionam resultado

Entre as atividades industriais, os principais impactos negativos vieram da fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, que apresentou queda de 4,2%.

A produção de alimentos também contribuiu para o resultado negativo, com retração de 1,7%.

Segundo o IBGE, a redução na fabricação de álcool etílico e açúcar teve participação importante nas perdas registradas.

“Vale destacar que essas atividades foram pressionadas pela redução no processamento da cana-de-açúcar, refletindo, em grande parte, os impactos provocados pelo maior volume de chuvas”, explicou André Macedo.

Indústrias extrativas registram crescimento

Na direção contrária, as indústrias extrativas apresentaram crescimento de 1,7% em setembro, exercendo a principal influência positiva sobre o resultado geral.

O avanço foi impulsionado pela maior extração de petróleo bruto, gás natural e minério de ferro.

“Nesta atividade, os destaques ficaram por conta da maior extração de óleos brutos do petróleo, gás natural e minérios de ferro”, afirmou o analista.

Apesar desse desempenho, o crescimento das atividades extrativas não foi suficiente para compensar as perdas registradas em outros segmentos industriais.

Produção recua 2,5% na comparação anual

Na comparação com setembro de 2025, a produção industrial brasileira caiu 2,5%, a retração mais intensa desde março de 2024, quando o indicador havia registrado queda de 2,9%.

Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado pelo calendário, já que setembro de 2026 teve um dia útil a menos que o mesmo mês do ano anterior.

Outro fator foi a base elevada de comparação, uma vez que a indústria havia crescido 2% em setembro de 2025.

Os números mostram que a atividade industrial brasileira encerrou setembro com retração disseminada entre diferentes setores e crescimento limitado no acumulado de 12 meses.

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